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19 de jun. de 2010

Vazio


Insisto em sustentar esse vazio...
Aumento minhas doses à cada vez que o sol se vai... Preencho as lacunas com memórias das partidas.
Esqueço dos meus sonhos, extrapolo meus limites.
Me faço de sábio e perco a bússola do sentir e do pensar...
E mesmo assim permaneço no encalço deste vácuo insuportável.
Dele me despeço das paredes e das molduras já desbotadas por tristeza
Neste vazio guardo a presença da melancolia... Guardo o anseio por tudo que pode dar errado.
Esse vazio representa minha alma transfigurada em peso morto;
Essa ausência que conflita com meus modos de alegria, é reflexo dos dias em que as nuvens tropeçavam nas lembranças do lençol molhado pelas lágrimas...
E usando uma arte milenar, guardo segredos e decifro as passagens da sombra pela terra seca e sem vida...
Infinitamente romântico, dialogo com os mistérios da lua e suas fases;
Atravesso hemisférios, apago meridianos...
Vivo intensos vermelhos e decepo minhas próprias asas de cera!
Cavalgo nas costas do destino errante;
Deliro nas nascentes da água fria que brota dos seios mornos da mãe natureza.
E ainda carrego o vazio, mesmo assim...
O vazio aguarda o tempo do retorno do passado... Aguarda o negar das boas lembranças.
Esse vazio, traiçoeiro, se faz de amigo, levanta a mente rumo à sensação de paixão e depois me derruba. 
Esse branco sem fim é frio e ignorante...
Esse vazio, que de tantos nomes perdeu o sentido pra mim, também é chamado de verdade...
Esse vazio é aquilo que perdi pra felicidade;
Esse vazio é aquilo que conquistei com a saudade dos tempos que ainda estão por vir...
Esse vazio sou eu... Só que vazio
Esse eu sou vazio... Mas sou eu... Vazio

Matheus

9 de mai. de 2010

A história do começo feliz e do triste fim


Esta é a história de um amor que não aconteceu; A história de um amor abortado.
Esta é a história de um amor consumido, tragado, dilacerado.
Esta é a história de um amor que perdeu pra morte, que não teve sorte, que caiu do abismo.
Este relato, triste e pesado, conta a história do amor de Carlos e Eduarda: A história do começo feliz e do final triste.
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Sabia-se tudo sobre todos naquela pequena cidade do interior.
A vida era pacata e preguiçosa, e as horas, divertidas, arrastavam-se vagarosamente pelos raios de sol e clarões de luar. Nesta cidade haviam ruas calçadas de pedras, muros feitos de barro e senhoras nas janelas aos fins de tarde. Nesta cidade haviam poucas esquinas, poucas pessoas e apenas uma venda para atender à todos moradores.
Esta cidade trazia uma história, como toda cidade... Mas fazia histórias também, como era de se esperar.
Moravam ali duas pessoas, que dentre tantas outras, destacavam-se pelo seu amor proibido. Eram Carlos e Eduarda, primos primeiros, criados juntos e inconscientes de tal amor que crescia.
Nas colinas gramadas do interior de Minas Gerais, Eduarda e Carlos viam rolar os tempos difíceis de mudança do mundo. Perdiam ali suas tardes, consumidos por sentimento paralisante de paixão e desprezando todos os nós que a família poderia traçar se descobrissem sobre o amor tão puro que existia entre eles.
Nas colinas, Eduarda via suas intimidades exploradas, descobertas... Enquanto, da mesma forma, descobria novos prazeres nas curvas das pernas de Carlos, nas voltas de sua orelha, no calor do seu hálito. Juntos eram um só; e o tempo dava pausas para respirar. As nuvens pareciam parar no céu sempre tão claro, e as rosas, benditas rosas, gostavam muito de soltar seu perfume mais delicioso ao verem os amores dos primos refugiados do pudor vingativo daquela pequena cidade.
Quando tinham meios de fugir, corriam às colinas no meio das frias noites, e amavam brincar de escolher suas estrelas no céu, sonhando que cada uma pertencia a um deles, e que elas também viviam o amor dos proibidos.
Carlos fazia os planos; Eduarda vivia os sonhos. Era difícil controlar os impulsos do amor sem limites. Na presença de familiares, como fingir não sentir algo que já é como parte da alma? Eduarda preferia sempre se trancar em seu quarto quando Carlos estava em sua casa acompanhado de seus pais. Carlos, moleque crescido como era, preferia arriscar a sorte em beijos molhados nas quinas dos corredores da grande casa antiga onde vivia Eduarda. Era um amor de pique esconde o amor destes dois... Era fácil ver o brilho nos olhos, o cuidado nos atos, o incômodo da distância. Eles nasceram para ficarem juntos. Estava traçado.
Não importava a nenhum deles se dessem por falta de sua presença em alguma tarde; Com o tempo, cansaram-se de esconder aquilo que era cada vez mais bonito. Seria um escândalo, uma desonra para a família ver os dois juntos, mas se não fosse assim como seria? Como prever os passos que ainda não foram dados? E foi com pensamento fixo, que Carlos decidiu, apoiado por Eduarda, contar a seus pais toda a verdade. Tinham escolhas, e estavam decididos sobre elas: Se não desse certo, fugiriam dali, morariam em outro lugar, nem que este lugar fosse lugar algum, apenas para que pudessem ser felizes juntos.
Mas determinado e ignorante aos nossos sentimentos é o destino. Estava tudo pronto, planos definidos, coragem crescendo no peito de ambos e tardes ainda maravilhosas nas colinas daquela cidade. E foi assim, sem poder evitar, que em uma tarde anterior ao dia previsto para o abrir-jogo da história de Carlos e Eduarda, que seus pais, já desconfiados de algo estranho nas ausências mútuas, flagraram o amor dos dois nas gramas da colina onde ficavam as rosas. E ódio tomou conta; A fúria dos pais de Eduarda foi imensa! As rosas perderam seu perfume e a grama ficou sem vontade de ser verde. Eduarda perdeu sua alma e Carlos já não sentia bater o seu coração. Foram separados sem a escolha de estar ou não estar. Aquele amor que era tão lindo virou motivo de discórdia, ódio e rancor. A família separou-se e Carlos partiu da cidade de pedras nas ruas e senhoras às janelas. Eduarda, pobre coitada, via sua vida partir a cada entardecer, ficando cada vez menos falante, menos radiante... Até sua beleza, antes exuberante, partiu com Carlos. O novo destino que enxergava era negro... choroso... dramático.
Carlos, agora um rapaz apático, não trabalhava, não saía e mal comia... Era tristeza. E tal tristeza era voraz e crescente, uma dor lancinante no peito que antes criava com gosto o coração apaixonado, agora fraco de tanto gritar sem ser respondido.
As estrelas ainda eram seu ponto de encontro, e ficavam lá, paradas, estagnadas em sua melancolia, pouco brilhando, pois não tinham mais os jovens que antes lhes apontavam deitados em uma colina verde com cheiro de rosas.
E foi assim, em mais um dia de dor, que Carlos cansou-se da ausência de sua amada, decidindo pela fuga. Deixaria para trás pai e mãe, mas viveria para sempre ao lado de seu amor. Resgataria Eduarda de seus pais rancorosos, e a levaria para bem longe, onde poderiam viver em essência o amor que sempre sentiram. Traiçoeiro e calculista como sempre foi, o destino determinou que no mesmo dia Eduarda tomaria a mesma decisão. E assim, movidos pelo mesmo objetivo, partiram, cada um de seu lugar, ao encontro do outro.
Alguns poucos quilômetros separavam as cidades em que estavam, e uma pequena viagem de carro era o suficiente para o encontro de almas tão unidas. Mas um não sabia das intenções do outro, o desencontro seria certeiro... Se não fosse por um pequeno detalhe.
Era domingo, final de feriado prolongado, trânsito engarrafado na BR que separava as pequenas cidades. As curvas da estrada eram sempre lembradas pela sua malícia com os motoristas mais desatentos. Um acidente parecia estar atrapalhando o desenrolar da viagem. Nervosa, Eduarda não via a hora de sair daquela confusão e abraçar seu amor mais uma vez. Ela buzinava, tentava ultrapassagens perigosas, mas permanecia quase parada. Era desesperante! Seus pais dariam falta do carro e de sua presença a qualquer momento, e poderiam avisar os pais de Carlos para que estes o vigiassem mais do que o normal. Como o tempo passa devagar quando estamos com saudades dos beijos de um grande amor...
Finalmente Eduarda passaria pelo bloqueio na estrada e seguiria sua viagem, agora quase no fim, e reencontraria Carlos, com o qual ela sonhava pelo afagar das mãos grandes e palavras bonitas. Eis que a dor de toda esta distância, ainda não tinha sido o suficiente para o castigo de Eduarda. Lá estava o motivo do engarrafamento: O carro de seus tios, capotado na estrada. E lá estava ao chão um corpo coberto pelo pano branco do prenúncio da morte... Desesperada pelo temor de ver com os olhos aquilo que já via com o coração, Eduarda saiu descontrolada do carro que roubara dos pais e atravessou a estrada com o restante das forças que suas pernas tinham. Não houve homem capaz de segurar sua vontade de ver quem estava por baixo pano da morte... Desvencilhando-se todos, Eduarda caiu de joelhos ao lado do alguém que estava no carro. Tomada de coragem, talvez a última coragem que teria para o resto da vida, puxou o lençol de uma só vez... Desmaiou. Era Carlos.
E o sol se punha, pela última vez, para aquele casal.
...
...
...
Dali em diante, poucas cenas ficaram na mente de Eduarda... Lembrava de muitas pessoas a carregando para dentro da ambulância, lembrava de seus pais chorando o choro do arrependimento tardio, lembrava de seu quarto, de remédios para dormir e de um cobertor.
Eduarda acordou com um gosto ruim na boca. Era o amargo da partida, concluiu depois. Aos poucos a impressão de ter tido um grande pesadelo transformou-se em percepção da realidade cruel... Carlos estava morto. Saiu de seu quarto com a mesma roupa que estava desde o dia anterior. Seus pais, na sala, aguardavam o despertar da filha. Carlos ainda estava sendo velado, e sem trocar palavras com ninguém, Eduarda dirigiu-se à antiga capela onde quase toda a cidade reunia-se para a romaria do enterro de seu amado.
Era tão triste imaginar Carlos sem vida... Eduarda pensou várias vezes em não aparecer por lá, em não guardar para si a imagem de seu amor em um caixão... Mas ao mesmo tempo seu coração clamava por uma despedida, pedia pelo último beijo na face, pela última sensação do toque na pele que, agora gélida e sem cor, havia lhe dado tanto amor... O maior amor.
Entrou pela capela sem ver nem ouvir ninguém... Estavam todos lá, mas ela não queria enxergar. Tocou com as pontas dos dedos as flores que cobriam os pés de Carlos, subiu com o olhar e percebeu que os pais haviam lhe colocado suas roupas preferidas... Tocou as mãos de Carlos, e olhou seu rosto... Estava sereno, com expressão tranqüila. Apesar de ter deixado Eduarda com o coração em pedaços, Carlos morrera sentindo a felicidade do quase-reencontro com sua grande paixão. Isso bastou para que morresse satisfeito.
Eduarda abaixou-se, beijou a face de seu amado e desejou do fundo do seu coração que ele a beijasse de volta... Era impossível. De lágrimas aos olhos, Eduarda lembrou de cada momento vivido nas colinas, nas quinas dos corredores e nas intimidades um do outro; lembrou da força extrema daquele amor que antes movia seu coração em um sentido oposto à razão, transformando em flores e em paixão tudo aquilo que estava em sua volta...
Lembrou-se de uma noite, a primeira noite em que esteve junto a Carlos, e lembrou-se daquela canção que tocava no rádio da pequena cidade... Era tão triste, e ao mesmo tempo era tema daquele momento. Ainda fraca, Eduarda sussurrou ao ouvido do corpo que antes fora de Carlos:
- Te amarei para sempre
E levantando-se, cantou como um grito o trecho da canção que se repetia na consciência daquela mulher de coração ferido para sempre...:
- A emoção acabou, que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou.
E aquela música nunca mais tocou...
E os anos se passaram sem respeitar a dor de Eduarda.
Ainda hoje, na pequena cidade, conta-se de uma velha senhora solteira, de expressão muito triste, que debruçada em sua janela, observa em seu jardim as rosas mais belas... E todas as noites, dizem por aí, a senhora aponta uma estrela, que diz sempre brilhar um pouco mais para ela, como que lhe chamando para voar ao céu. Essa senhora anda por aí contando uma velha história de amor. Todos a chamam de louca. Eles não entendem que a partida de um grande amor nos deixa um pouco mortos também... Eduarda vive assim, mergulhada na saudade de Carlos desde décadas e décadas atrás... E sonha todos os dias com o dia em que dormirá para nunca mais acordar, e assim, enfim, há de tocar as mãos de seu amor novamente, e, desta vez, para a eternidade...
Certamente, de todas as dores, a pior delas é a dor da despedida.
.
.
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Matheus

25 de fev. de 2010

Pequenos trechos de confusões


Eu tô com minh'alma na mão... e o resto do corpo no ralo.
Eu tô que não aguento estes gritos, estes pobres gemidos da alma que sonha demais.
Eu tô com a cara mais limpa.
Tô com fé e tô no mar, velejando rumo ao sol, esperando Iemanjá.

Matheus


9 de nov. de 2009

O Sono

Procuro em mim as mentiras para suprir sua falta
Passeio pelos corredores escuros, abro a geladeira sem razão
Pés descalços e mente confusa
Frio
Rolo na cama e o sono não vem
As palavras do jornal não tem sentido
Os livros novos amarelam e perdem as folhas
As notícias na TV nunca falam o seu nome
Tudo vai ficando turvo, pesado, mudo.
É o sono que chega irritado com meu desespero
E a falta toma espaço...
De pedaço em pedaço vou lembrando você
Eu lembro por tentar te esquecer
Eu insisto, é instinto
Pra cada lembrança que eu tento apagar, outras dez me atacam
Por cada lasca que arranco de você, outras mil tomam lugar
Minha segunda pele atende pelo seu nome
Eu te chamo e me respondo
Eu brinco de me iludir
Corro de braços abertos pra mim mesmo, na esperança de você ser eu... Assim como eu sou você
Peço favores à estranhos, entrego bilhetes aos garçons
Onde está você?
Cada esquina tem seu traço
Cada rua tem seus passos
O meu quarto tem seu cheiro
Mas você não está nos traços
Seus pés não estão nos passos
E seu cheiro vem do lençol, não da sua pele
Onde está você?
Mais um dia chega... e com ele menos vontade de sair.
Muita luz lá fora, muito verão, muito barulho.
Aqui dentro é silencioso e escuro.
Permaneço sentindo o vazio que era o espaço feito pra você ficar.
O café não tem sabor.
O banho não refresca.
A claridade não ajuda a enxergar.
E a falta toma espaço...
.
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Matheus


3 de nov. de 2009

Metade da minha metade (Adaptação do texto original de Oswaldo Montenegro)


Que o tempo que ruge e que fere
não me proíba de sentir cada segundo vagarosamente.

Que o partir e o chegar incessantes
não façam de mim um corpo gelado
Porque metade de mim é encontro
mas a outra metade é despedida.

Que a morte e a vida que se equilibram
não façam de mim mais uma de suas vítimas
Porque metade de mim é o ócio
mas a outra metade é vontade.

Que as idéias e os desejos que tenho
não façam de mim apenas sensação
Porque metade de mim é paixão
mas a outra metade é prece.

Que o peso da consciência em tardes de tédio
não faça de mim apenas passado
Porque metade de mim é remorso
mas a outra metade é esperança.

Que as lembranças e a angústia se afastem, fazendo com que assim, o cotidiano seja um pouco mais prazeroso.

Que os reflexos da alma que não morre
não façam de mim a mesma pessoa que já fui
Porque metade de mim é o que eu era
mas a outra metade é o que eu quero ser.

Que eu nunca precise ferir ninguém com palavras
para que assim eu durma sempre em paz.
E que cada um que cruzar meu caminho leve de mim apenas sorrisos
Porque metade de mim é inconstância
mas a outra metade é abrigo.

Que o amor se mostre constante e presente
Mesmo que eu sofra por ele
E que as pessoas me vejam como um louco romântico
Porque é com amor que eu rego minhas raízes.
Porque metade de mim é tronco velho
mas a outra metade é semente.

E que a minha felicidade seja eterna
Porque metade de mim é o que eu pareço ser
e a outra metade também.
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Matheus

28 de out. de 2009

A Alma do Poeta



É você quem habita a alma do poeta para que ela habite em todo resto do corpo.
O corpo do poeta é feito de Alma, e a alma é feita de você:
Os olhos do poeta lêem os versos como se lessem seus pensamentos;
Observam as paisagens como se observassem sua intimidade;
Se fecham todas as noites como se fechassem para te ver.
Os dedos do poeta dedilham as teclas como se dedilhassem seu corpo;
Seguram no lápis como se segurassem seu rosto;
Acentuam palavras como se acentuassem seus cabelos ao sol.
A boca do poeta bebe o alcóol da inspiração como se bebesse você;
Recita seus poemas como se recitasse em suas curvas;
Se contrái de comoção como se contraísse suas memórias.
A mente do poeta pensa... Na verdade tenta, mas acaba pensando em você.
A mente do poeta é mais do que neurônios, sinônimos e outras coisas banais.
A mente do poeta é cheia de estouros, luzes e lampejos, que se não saem instantaneamente rumo ao papel, se transformam em fantasmas que fazem o poeta pirar.
A mente do poeta também é cheia de sombra, entretando.
Caminha pelas idéias e pelas linhas, brinca com as sensações e com as rimas, e ao voltar acaba encontrando a alma e você ocupando seu lugar.
É a alma do poeta que reflete seu encanto;
É a alma do poeta que exprime seus desencontros;
É a alma do poeta que emociona...
E por emocionar, ela tem passe livre pra entrar em todo canto que há.
A alma do poeta é esperta... Ela entra em você.
Passeia por suas víceras, vai a teus olhos, a teus dedos, a tua boca.
A alma do poeta te toca, finalmente!
Mas é a alma do poeta que toca a você... Não o seu corpo.
O poeta é poeta, por isso;
Por te tocar sem poder te sentir.
Por te emocionar sem poder enxugar seu pranto.
Por te beijar sem poder molhar os teus lábios.
É por isso que o poeta é poeta... Entende?
Por que se assim não fosse, o poeta seria seu amante...
E não seria poeta.
.
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Matheus

26 de out. de 2009

Ausência de inspiração...




Parei para pensar um segundo...
Mas o pensamento não veio!
Como é sensível a minha inspiração!
Fico vendo todo mundo que se inspira com tudo e com todos...
Eu não sou assim.
E também nem sei se queria ser.
Escrever, para mim, é algo íntimo demais, profundo demais pra sair sem motivo.
Hoje paro de frente ao papel e nada vem.
Em todos os dias que escrevi, as palavras saltaram sozinhas, naturais...
Claro que tinha em mente alguém, alguma situação, algum sentimento... Mas eles apenas ditavam as letras e as linhas iam aumentando sem que eu tivesse controle.
E hoje não está sendo assim.
Então, por respeito às minhas idéias, e por respeito ao meu inconsciente, prefiro ficar sem inspiração do que forçá-la a chegar.
Quem sabe eu faço isso e ela toma birra de mim?
Quando ela quiser voltar, que seja bem vinda!
Acho que pode até ser bom tirar um dia de folga da profissão de pseudo-poeta.
Portanto, até amanhã!

24 de out. de 2009

Humano-raça



O Ser-Humano está em extinção.
É, tá sim, para de rir!
Vamos comigo à África que eu te dou uma prova.
Tá vendo?
Eu estou falando daquele tanto de gente morrendo de fome!
E aproveita para passar comigo nos Estados Unidos, também.
Vamos na porta de um Mc Donalds ou de uma Apple.
Viu que não é a mesma raça?
Aqueles que morrem na África sim, são os seres humanos.
Eles são os remanescentes quase extintos do Homo-Sapiens...
Essa outra raça que a gente viu não é mais a humana.
Será que é ao menos humanóide?
É uma raça de consciência deturpada e de muitos conceitos falhos.
É capitalismo demais, globalização demais, e amor de menos.
É esta raça que está tomando conta do mundo.
Enquanto isso o Humano morre.
Nem força para levantar, tem.
Morre por não ter como lutar.
.
.
Matheus

Querência


Estranhos sentimento esse de querer. A gente passa a vida querendo.
Por esperança, ou persistência, queremos sempre o que não podemos ter.
Seria simples querer um céu azul ou uma flor amarela, mas queremos cores mais fortes.
Vivemos querendo amores vermelhíssimos, quase roxos de tanta querência dele que temos. Queremos dinheiro, queremos sucesso, queremos poder...
Queremos sempre mais e mais; E acabamos morrendo sempre com menos, muito menos do que aquilo que poderíamos ter conquistado se não quiséssemos sempre aquilo que está fora do nosso alcance.
.
Matheus

Sonhos.


Eu tenho sonhos;
Sonhos que não sonho dormindo
São ilusões, alucinações
Eu tenho sonhos de criança
Daqueles com doces e melodia
Tenho sonhos de amor
Sonho com futuro de paz.
.
Eu tenho sonhos;
Sonho para mim
Sonho para os outros também.
.
Sonho com os outros, na verdade.
.
Eu tenho sonhos;
Sonhos que vem e passam
Sonhos que me abalam
Sonhos que são quase reais.
.
Eu tenho sonhos!
Sonho em estar ali:
Presente na ausência
Alegre na melancolia
Aceso na escuridão.
.
Eu tenho sonhos;
Sonhos que o despertador não pode acordar.
.
Matheus

20 de out. de 2009

Os Versos Que Eu Fiz pra Você Não Ler (Dilema do Poeta)




"Você tem que fazer o que tiver vontade ..."
E se minha vontade for ficar com você?
Procurei pelos lugares, pelas esquinas...
Entrei em bares sujos, ruas estreitas e casas estranhas...
Mas te achei no meu jardim, lá do lado daquela pedra feia.
Sabe aquela? Que ficava em cima de uma placa onde se via gravada com letras velhas e gastas: "Apatia"?
Te achei com medo.
Tremendo de medo, na verdade.
Você tinha medo de tudo: Desde um leão até à própria sombra.
Acho que a sombra te assustava porque ela não era você.
E depois de te achar, de te levar pra casa, de ficar amigo e amante, você, assim como veio, se leva pra longe.
Não, não é sua culpa, eu sei...
É meio que um fora que a vida me dá.
Ou será que é só ilusão minha, e esse tempo distante é um jeito da vida juntar mais um pouco o nosso destino?
Mas mesmo se for, eu preciso falar.
Sou paranóico e romântico... Você sabe;
Distâncias de emoções me enfraquecem.
Tá bom, eu entendo bem que sua sombra te incomoda, que você tem medo de deixar ela agir e perder o controle...
Mas você sempre andou com ela em sua cola, e ela, esperta, nunca matou e nunca roubou.
Ela é digna, entende?
Ela merece essa chance de tentar, concorda?
E isso tudo que eu digo pode parecer exagero, devaneio, melação.
Mas é a verdade.
Sim, eu admito: É a verdade com um pouco de saudosismo e bastante poesia;
Mas é verdade.
Você soube, desde sempre, que verdade não me falta.
E seu eu não falar nada?
E se eu deixar passar e a emoção se esvair?
E se essa brasa jovem pudesse ter um futuro de chama ardente, e por falta de "palavras" ela se apagasse?
Aí sim, seria forte a falta das palavras.
Não dá pra deixar um sonho se perder no fio de preocupações, de despedidas, de momentos turvos.
Tô assim, meio que, um tanto quanto... Perdido.
Não falta desejo.
Não falta melodia.
Não falta cor...
Falta só a mente no lugar.
Falta só esse medo acabar.
Falta essa pausa passar pra poder começar a história de um livro que ainda não tem capa nem epílogo.
E claro: Pode ser isso tudo uma armadilha, também;
Pura farsa, ilusão.
Pode ser que não exista brasa, que não exista vontade, que não exista jardim, nem placa e nem uma sombra...
Sei lá, vai ver não exista você como eu penso que é.
Talvez não exista nem "você e eu" e isso tudo seja fruto da cabeça de um poeta...
Eu sei! Não é bom conhecer um poeta.
Falo de mim e tenho vontade de rir.
Sou instável não é mesmo?
Meio louco, meio tosco, meio intenso demais... Eu assumo!
Mas quem não é?
Eu sou, você acaba se mostrando ser um pouco também!
Mas entre custos e gastos, não sei... Acho que eu quero você.
E pra que esse achar vire certeza, só basta um sorriso.
Cuspi aqui minha dignidade, não foi?
Escarrei em você um monte de coisas que você não tem que saber...
Mas bem sabes que pra me interpretar é preciso pensar: Minha mente viaja naquilo tudo que é sensação!
Não nego que nessas letras há muita razão, muito fato consumado.
Mas encharquei isso tudo de poesia.
O que não torna nada um pouco mais ou um pouco menos verdade.
É só um conjunto de linhas.
Quiçá assinei aqui a nossa despedida definitiva.
Mas fica livre, viu?
Se quiser partir, ir embora: Pode ir.
Não vai ser muito bom, com certeza, mas só vou dizer Tchau...
De verdade!
Meu olho só brilha, minha mão só dedilha as palavras.
Se partir, eu bato palmas pra você ser feliz, pra achar um encanto...
Meu poema tá pronto.
Já li suas linhas tortas, de quem começa a ser poeta também...
E você diz (com a sabedoria que só os diferentes de coração podem ter):
“Não dá pra ser sincero se não for espontâneo..."
Por isso, agüenta...
Que eu agüento também!


Matheus