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9 de nov. de 2009

O Sono

Procuro em mim as mentiras para suprir sua falta
Passeio pelos corredores escuros, abro a geladeira sem razão
Pés descalços e mente confusa
Frio
Rolo na cama e o sono não vem
As palavras do jornal não tem sentido
Os livros novos amarelam e perdem as folhas
As notícias na TV nunca falam o seu nome
Tudo vai ficando turvo, pesado, mudo.
É o sono que chega irritado com meu desespero
E a falta toma espaço...
De pedaço em pedaço vou lembrando você
Eu lembro por tentar te esquecer
Eu insisto, é instinto
Pra cada lembrança que eu tento apagar, outras dez me atacam
Por cada lasca que arranco de você, outras mil tomam lugar
Minha segunda pele atende pelo seu nome
Eu te chamo e me respondo
Eu brinco de me iludir
Corro de braços abertos pra mim mesmo, na esperança de você ser eu... Assim como eu sou você
Peço favores à estranhos, entrego bilhetes aos garçons
Onde está você?
Cada esquina tem seu traço
Cada rua tem seus passos
O meu quarto tem seu cheiro
Mas você não está nos traços
Seus pés não estão nos passos
E seu cheiro vem do lençol, não da sua pele
Onde está você?
Mais um dia chega... e com ele menos vontade de sair.
Muita luz lá fora, muito verão, muito barulho.
Aqui dentro é silencioso e escuro.
Permaneço sentindo o vazio que era o espaço feito pra você ficar.
O café não tem sabor.
O banho não refresca.
A claridade não ajuda a enxergar.
E a falta toma espaço...
.
.
Matheus


28 de out. de 2009

A Alma do Poeta



É você quem habita a alma do poeta para que ela habite em todo resto do corpo.
O corpo do poeta é feito de Alma, e a alma é feita de você:
Os olhos do poeta lêem os versos como se lessem seus pensamentos;
Observam as paisagens como se observassem sua intimidade;
Se fecham todas as noites como se fechassem para te ver.
Os dedos do poeta dedilham as teclas como se dedilhassem seu corpo;
Seguram no lápis como se segurassem seu rosto;
Acentuam palavras como se acentuassem seus cabelos ao sol.
A boca do poeta bebe o alcóol da inspiração como se bebesse você;
Recita seus poemas como se recitasse em suas curvas;
Se contrái de comoção como se contraísse suas memórias.
A mente do poeta pensa... Na verdade tenta, mas acaba pensando em você.
A mente do poeta é mais do que neurônios, sinônimos e outras coisas banais.
A mente do poeta é cheia de estouros, luzes e lampejos, que se não saem instantaneamente rumo ao papel, se transformam em fantasmas que fazem o poeta pirar.
A mente do poeta também é cheia de sombra, entretando.
Caminha pelas idéias e pelas linhas, brinca com as sensações e com as rimas, e ao voltar acaba encontrando a alma e você ocupando seu lugar.
É a alma do poeta que reflete seu encanto;
É a alma do poeta que exprime seus desencontros;
É a alma do poeta que emociona...
E por emocionar, ela tem passe livre pra entrar em todo canto que há.
A alma do poeta é esperta... Ela entra em você.
Passeia por suas víceras, vai a teus olhos, a teus dedos, a tua boca.
A alma do poeta te toca, finalmente!
Mas é a alma do poeta que toca a você... Não o seu corpo.
O poeta é poeta, por isso;
Por te tocar sem poder te sentir.
Por te emocionar sem poder enxugar seu pranto.
Por te beijar sem poder molhar os teus lábios.
É por isso que o poeta é poeta... Entende?
Por que se assim não fosse, o poeta seria seu amante...
E não seria poeta.
.
.
Matheus

26 de out. de 2009

Ausência de inspiração...




Parei para pensar um segundo...
Mas o pensamento não veio!
Como é sensível a minha inspiração!
Fico vendo todo mundo que se inspira com tudo e com todos...
Eu não sou assim.
E também nem sei se queria ser.
Escrever, para mim, é algo íntimo demais, profundo demais pra sair sem motivo.
Hoje paro de frente ao papel e nada vem.
Em todos os dias que escrevi, as palavras saltaram sozinhas, naturais...
Claro que tinha em mente alguém, alguma situação, algum sentimento... Mas eles apenas ditavam as letras e as linhas iam aumentando sem que eu tivesse controle.
E hoje não está sendo assim.
Então, por respeito às minhas idéias, e por respeito ao meu inconsciente, prefiro ficar sem inspiração do que forçá-la a chegar.
Quem sabe eu faço isso e ela toma birra de mim?
Quando ela quiser voltar, que seja bem vinda!
Acho que pode até ser bom tirar um dia de folga da profissão de pseudo-poeta.
Portanto, até amanhã!

24 de out. de 2009

Humano-raça



O Ser-Humano está em extinção.
É, tá sim, para de rir!
Vamos comigo à África que eu te dou uma prova.
Tá vendo?
Eu estou falando daquele tanto de gente morrendo de fome!
E aproveita para passar comigo nos Estados Unidos, também.
Vamos na porta de um Mc Donalds ou de uma Apple.
Viu que não é a mesma raça?
Aqueles que morrem na África sim, são os seres humanos.
Eles são os remanescentes quase extintos do Homo-Sapiens...
Essa outra raça que a gente viu não é mais a humana.
Será que é ao menos humanóide?
É uma raça de consciência deturpada e de muitos conceitos falhos.
É capitalismo demais, globalização demais, e amor de menos.
É esta raça que está tomando conta do mundo.
Enquanto isso o Humano morre.
Nem força para levantar, tem.
Morre por não ter como lutar.
.
.
Matheus

Querência


Estranhos sentimento esse de querer. A gente passa a vida querendo.
Por esperança, ou persistência, queremos sempre o que não podemos ter.
Seria simples querer um céu azul ou uma flor amarela, mas queremos cores mais fortes.
Vivemos querendo amores vermelhíssimos, quase roxos de tanta querência dele que temos. Queremos dinheiro, queremos sucesso, queremos poder...
Queremos sempre mais e mais; E acabamos morrendo sempre com menos, muito menos do que aquilo que poderíamos ter conquistado se não quiséssemos sempre aquilo que está fora do nosso alcance.
.
Matheus

Sonhos.


Eu tenho sonhos;
Sonhos que não sonho dormindo
São ilusões, alucinações
Eu tenho sonhos de criança
Daqueles com doces e melodia
Tenho sonhos de amor
Sonho com futuro de paz.
.
Eu tenho sonhos;
Sonho para mim
Sonho para os outros também.
.
Sonho com os outros, na verdade.
.
Eu tenho sonhos;
Sonhos que vem e passam
Sonhos que me abalam
Sonhos que são quase reais.
.
Eu tenho sonhos!
Sonho em estar ali:
Presente na ausência
Alegre na melancolia
Aceso na escuridão.
.
Eu tenho sonhos;
Sonhos que o despertador não pode acordar.
.
Matheus

20 de out. de 2009

Os Versos Que Eu Fiz pra Você Não Ler (Dilema do Poeta)




"Você tem que fazer o que tiver vontade ..."
E se minha vontade for ficar com você?
Procurei pelos lugares, pelas esquinas...
Entrei em bares sujos, ruas estreitas e casas estranhas...
Mas te achei no meu jardim, lá do lado daquela pedra feia.
Sabe aquela? Que ficava em cima de uma placa onde se via gravada com letras velhas e gastas: "Apatia"?
Te achei com medo.
Tremendo de medo, na verdade.
Você tinha medo de tudo: Desde um leão até à própria sombra.
Acho que a sombra te assustava porque ela não era você.
E depois de te achar, de te levar pra casa, de ficar amigo e amante, você, assim como veio, se leva pra longe.
Não, não é sua culpa, eu sei...
É meio que um fora que a vida me dá.
Ou será que é só ilusão minha, e esse tempo distante é um jeito da vida juntar mais um pouco o nosso destino?
Mas mesmo se for, eu preciso falar.
Sou paranóico e romântico... Você sabe;
Distâncias de emoções me enfraquecem.
Tá bom, eu entendo bem que sua sombra te incomoda, que você tem medo de deixar ela agir e perder o controle...
Mas você sempre andou com ela em sua cola, e ela, esperta, nunca matou e nunca roubou.
Ela é digna, entende?
Ela merece essa chance de tentar, concorda?
E isso tudo que eu digo pode parecer exagero, devaneio, melação.
Mas é a verdade.
Sim, eu admito: É a verdade com um pouco de saudosismo e bastante poesia;
Mas é verdade.
Você soube, desde sempre, que verdade não me falta.
E seu eu não falar nada?
E se eu deixar passar e a emoção se esvair?
E se essa brasa jovem pudesse ter um futuro de chama ardente, e por falta de "palavras" ela se apagasse?
Aí sim, seria forte a falta das palavras.
Não dá pra deixar um sonho se perder no fio de preocupações, de despedidas, de momentos turvos.
Tô assim, meio que, um tanto quanto... Perdido.
Não falta desejo.
Não falta melodia.
Não falta cor...
Falta só a mente no lugar.
Falta só esse medo acabar.
Falta essa pausa passar pra poder começar a história de um livro que ainda não tem capa nem epílogo.
E claro: Pode ser isso tudo uma armadilha, também;
Pura farsa, ilusão.
Pode ser que não exista brasa, que não exista vontade, que não exista jardim, nem placa e nem uma sombra...
Sei lá, vai ver não exista você como eu penso que é.
Talvez não exista nem "você e eu" e isso tudo seja fruto da cabeça de um poeta...
Eu sei! Não é bom conhecer um poeta.
Falo de mim e tenho vontade de rir.
Sou instável não é mesmo?
Meio louco, meio tosco, meio intenso demais... Eu assumo!
Mas quem não é?
Eu sou, você acaba se mostrando ser um pouco também!
Mas entre custos e gastos, não sei... Acho que eu quero você.
E pra que esse achar vire certeza, só basta um sorriso.
Cuspi aqui minha dignidade, não foi?
Escarrei em você um monte de coisas que você não tem que saber...
Mas bem sabes que pra me interpretar é preciso pensar: Minha mente viaja naquilo tudo que é sensação!
Não nego que nessas letras há muita razão, muito fato consumado.
Mas encharquei isso tudo de poesia.
O que não torna nada um pouco mais ou um pouco menos verdade.
É só um conjunto de linhas.
Quiçá assinei aqui a nossa despedida definitiva.
Mas fica livre, viu?
Se quiser partir, ir embora: Pode ir.
Não vai ser muito bom, com certeza, mas só vou dizer Tchau...
De verdade!
Meu olho só brilha, minha mão só dedilha as palavras.
Se partir, eu bato palmas pra você ser feliz, pra achar um encanto...
Meu poema tá pronto.
Já li suas linhas tortas, de quem começa a ser poeta também...
E você diz (com a sabedoria que só os diferentes de coração podem ter):
“Não dá pra ser sincero se não for espontâneo..."
Por isso, agüenta...
Que eu agüento também!


Matheus