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29 de jul. de 2010
Manias
Tenho essa mania de buscar artifícios...
Essa mania de varrer meus problemas, de esquecer os esquemas que me trouxeram até aqui.
Tenho presente o costume de sonhar com as pessoas, de inventar histórias e dramas... Coisas que eu nunca vou viver.
Tenho mania de lembrar o perfume, reviver noites insones daquilo que já passou.
Tenho mania de acordar muito cedo, de esperar mais do que foi escrito no enredo, de almejar aquilo que minha mão não alcança...
Mas eu também tenho a mania de me negar ao fracasso, de botar coragem no passo e gritar pra meu medo que eu sou forte e capaz.
E assim eu me completo, por que completo eu sou melhor.
Daí eu estico o braço e alcanço o fato, acordo cedo e reescrevo o enredo, sonho com gente que é de carne, osso e afeição.
E se me acho às vezes conturbado, é porque esqueci a borracha do passado em meio ao seu corredor.
Não me importo em buscar.
Não sou daqueles que assustam com os gritos da recaída.
E daí?
É normal viver de novo pra aprender.
E não basta uma vez pra me fazer entender
Quer dizer que se a vida fosse uma eu teria que viver apenas uma vez cada sensação?
Enxergou?
É por isso que eu reinvento minha história, vivo agora dias de glória e não minto para mim mesmo.
Me imita, porque é assim que eu conquisto a felicidade...
Em cada suspiro eu junto uma parte e hei de um dia a conquistar.
E se quiser vir comigo que venha! Mas fique de aviso sobre minhas regras.
Prefiro pessoas felizes
Prefiro emoções às diretrizes
E, definitivamente, mesmo reescrevendo rasgando e relendo, eu não sigo o enredo.
Então se prepara, que comigo é 200 por hora... Uma mão cheia de luz e certezas, e a outra fechada pra não perder o gosto da surpresa.
Matheus
8 de jul. de 2010
Trem da Vida
No caminho eu vim olhando paisagens, lembrando das passagens que me fizeram crescer.
Ao meu lado veio uma senhora estranha, de tez meio branca e meio turva também...
Aqueles cabelos tinham cara de segredo, e ela levava nas rugas um pouco de medo, desses medos simples que a vida nos dá.
Não trocamos sequer uma palavra por tantos quilômetros, mas eu entendi bem os caminhos que iríamos tomar.
Aquela senhora partia rumo ao distante...
Ela quase terminava o caminho que eu começava a traçar.
Será então esse o segredo da vida?
É no fim do começo que a gente percebe que o começo é o princípio do fim?
Será que a vida da gente termina quando o expresso da vida anuncia seu passar?
Matheus de Castro
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23 de fev. de 2010
Casulo de mim
27 de dez. de 2009
Novo Ano

O que eu espero de um novo ano, é quase nada...
Se espero demais, me iludo e padeço em minha própria ilusão... E se espero de menos, me surpreendo comigo e não suporto o peso de um novo caminho a seguir.
Só não espero apenas vitórias, porque não quero precisar de fracassos gigantes para aprender.
Espero menos sorrisos, pra aprender um pouco mais com as lágrimas;
Espero dores mais fortes, para vibrar com mais alegria ao me curar;
Espero palavras mais duras, para brilhar mais os olhos na hora de pedir perdão.
Neste ano, espero horas mais curtas, pra não ter que contar o tempo para ver ninguém;
Espero brigas sem fim, para poder beijar mais suave quando a paz reinar;
Espero tons mais graves, para gritar mais agudo quando a saudade apertar...
Em 2010, quero brincar de recomeço sem esquecer o que já se passou.
Quero inventar nova história, pois sou eu criador de mim, dono e vassalo de minhas próprias vontades, rei absoluto de meu próprio destino.
Em 2010, quero sair pela noite fria sem blusa nem cobertor, esperando em cada esquina que as pessoas sejam mais humanas! (E espero que elas realmente sejam!)
Quero o sorriso dos mendigos, a vitória dos fracassados e o amor dos desiludidos!
Em 2010 quero PAZ!
Quero Deus no meu coração, e no seu coração também!
Quero luz em todos os cantos, e menos trevas assombrando nosso país.
Quero acordar sempre cedo para ver o milagre da vida nascer, e dormir sempre tarde, pra lembrar de tudo que eu ainda tenho que agradecer!
Em 2010 quero viver como vivi em todos os anos, completamente perdido nos caminhos da história, inventando memórias e trocando palavras...
Em 2010 quero minha vida como sempre foi: Repleta de mim e de todos, abarrotada de extremos e de pura emoção!
Enfim, em 2010 quero AMOR!
Pois o amor é a água da vida e sem ele nada cresce e nada se cria...
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Matheus
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17 de dez. de 2009
Esconde
De tanto tentar me esconder, me escondi atrás de você.E aos poucos, sem perceber, você foi colando em mim, vidrando em mim, fazendo de mim, você.
E como se não bastasse, como se não fosse demais, você se fez necessário, mesmo quando estava presente e falante.
Você sempre foi excesso.
De tanto que doava de si, tive medo de perder a mim buscando a você...
E tive medo... tive medo ao ponto de querer me esconder.
E de tanto tentar me esconder, me escondi atrás de você.
E aos poucos, sem perceber, fui eu quem colei em você.
Matheus
9 de dez. de 2009
Povo
Esse povo que mora nos becos e come nas calçadas é pura coragem.
Esse povo que corre de coro e pede esmola, é pura humildade.
Essa gente brasileira, que sorri pra qualquer um, não tem pena do próprio martírio.
Vive cada dia de um jeito, arrumando mil maneiras de não deixar a vida partir pra mais longe.
Esse povo divide em parcelas as conquistas de suas vidas...
Mas paga a vista e em dinheiro pelo carinho que recebem!
Esse povo é o meu povo;
Essa gente é o meu Brasil!
Matheus
21 de nov. de 2009
Reflexo

O espelho faz seu trabalho
A imagem de alguém reflete em cadências
De frente pra mim me pergunto:
Quem é o reflexo de quem?
Será eu o reflexo da minha imagem,
ou será meu reflexo imagem de mim?
Sou eu imagem de mim mesmo ou invenção do meu espelho?
É preciso existir para refletir,
mas também é preciso refletir para se existir de verdade?
A imagem que me imita não sente as coisas como eu
Ela é apenas plana. Fria. Falsa.
Eu não posso contornar as linhas do corpo do meu reflexo
Não dá pra beijar-lhe as costas ou afagar seus cabelos...
E mesmo assim o que eu vejo defrente à mim teima em ser eu.
O meu reflexo é imagem distorcida.
O meu reflexo é feição sem motivo.
Se reflete um pranto,
não sabe porque choras.
Se reflete um sorriso,
não sabe o motivo de estar feliz.
O reflexo vive de imagens,
e por este detalhe se torna um tolo
Ele é fácil de se enganar.
Basta estampar um falso sorriso,
basta esculpir uma falsa alegria.
Assim, teatral e leviano, eu engano meu reflexo.
Todo dia sou protagonista de uma nova ilusão.
Porque no fundo, o que reflete em mim é muito claro:
Enganar o meu reflexo é enganar a mim mesmo.
Deve ser por isso que minha casa vive cheia de espelhos.
.
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Matheus
19 de nov. de 2009
Embora

Embora eu sinta o contrário, e embora isso tudo, para mim, seja apenas confusão, tudo foi simples demais.
Rápido demais, breve demais, íntimo demais... e forte demais também.
Embora eu saiba que daqui pra frente tudo pode ser pior do que nunca foi, e que aos poucos esse frio talvez se transforme em homicídio do que sinto, eu me contento com o sabor do seu beijo, mas sem ser dono da sua boca...
E me contento em te querer sem saber se um dia vou ter você.
Para mim basta ter a presença, a essência... A alma.
Basta ter um pensamento seu por dia direcionado à mim pra que o sorriso se amplie e a alegria tome conta.
Pra mim basta ter você... sem te ter por inteiro.
Quiçá eu não tenha um quarto da sua metade, e mesmo assim saio por aí te encontrando e te achando, pensando que a cada vez que te lembro, um pedaço novo eu ganho de você.
É ilusão, mas que seja verdade um dia.
E que seja finito, visto que também pode ser eterno...
Que seja o oposto, sendo que é claro que também pode ser o igual.
E certamente, que seja bonito enquanto dure, pois bonito é o que eu sinto.
E bonita é nossa história
E bonito é você em minha mente...
Só em minha mente...
Eternamente, na mente.
Matheus
Rápido demais, breve demais, íntimo demais... e forte demais também.
Embora eu saiba que daqui pra frente tudo pode ser pior do que nunca foi, e que aos poucos esse frio talvez se transforme em homicídio do que sinto, eu me contento com o sabor do seu beijo, mas sem ser dono da sua boca...
E me contento em te querer sem saber se um dia vou ter você.
Para mim basta ter a presença, a essência... A alma.
Basta ter um pensamento seu por dia direcionado à mim pra que o sorriso se amplie e a alegria tome conta.
Pra mim basta ter você... sem te ter por inteiro.
Quiçá eu não tenha um quarto da sua metade, e mesmo assim saio por aí te encontrando e te achando, pensando que a cada vez que te lembro, um pedaço novo eu ganho de você.
É ilusão, mas que seja verdade um dia.
E que seja finito, visto que também pode ser eterno...
Que seja o oposto, sendo que é claro que também pode ser o igual.
E certamente, que seja bonito enquanto dure, pois bonito é o que eu sinto.
E bonita é nossa história
E bonito é você em minha mente...
Só em minha mente...
Eternamente, na mente.
Matheus
9 de nov. de 2009
O Sono
Procuro em mim as mentiras para suprir sua falta
Passeio pelos corredores escuros, abro a geladeira sem razão
Pés descalços e mente confusa
Frio
Rolo na cama e o sono não vem
As palavras do jornal não tem sentido
Os livros novos amarelam e perdem as folhas
As notícias na TV nunca falam o seu nome
Tudo vai ficando turvo, pesado, mudo.
É o sono que chega irritado com meu desespero
E a falta toma espaço...
De pedaço em pedaço vou lembrando você
Eu lembro por tentar te esquecer
Eu insisto, é instinto
Pra cada lembrança que eu tento apagar, outras dez me atacam
Por cada lasca que arranco de você, outras mil tomam lugar
Minha segunda pele atende pelo seu nome
Eu te chamo e me respondo
Eu brinco de me iludir
Corro de braços abertos pra mim mesmo, na esperança de você ser eu... Assim como eu sou você
Peço favores à estranhos, entrego bilhetes aos garçons
Onde está você?
Cada esquina tem seu traço
Cada rua tem seus passos
O meu quarto tem seu cheiro
Mas você não está nos traços
Seus pés não estão nos passos
E seu cheiro vem do lençol, não da sua pele
Onde está você?
Mais um dia chega... e com ele menos vontade de sair.
Muita luz lá fora, muito verão, muito barulho.
Aqui dentro é silencioso e escuro.
Permaneço sentindo o vazio que era o espaço feito pra você ficar.
O café não tem sabor.
O banho não refresca.
A claridade não ajuda a enxergar.
E a falta toma espaço...
.
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Matheus
3 de nov. de 2009
Metade da minha metade (Adaptação do texto original de Oswaldo Montenegro)

Que o tempo que ruge e que fere
não me proíba de sentir cada segundo vagarosamente.
Que o partir e o chegar incessantes
não façam de mim um corpo gelado
Porque metade de mim é encontro
mas a outra metade é despedida.
Que a morte e a vida que se equilibram
não façam de mim mais uma de suas vítimas
Porque metade de mim é o ócio
mas a outra metade é vontade.
Que as idéias e os desejos que tenho
não façam de mim apenas sensação
Porque metade de mim é paixão
mas a outra metade é prece.
Que o peso da consciência em tardes de tédio
não faça de mim apenas passado
Porque metade de mim é remorso
mas a outra metade é esperança.
Que as lembranças e a angústia se afastem, fazendo com que assim, o cotidiano seja um pouco mais prazeroso.
Que os reflexos da alma que não morre
não façam de mim a mesma pessoa que já fui
Porque metade de mim é o que eu era
mas a outra metade é o que eu quero ser.
Que eu nunca precise ferir ninguém com palavras
para que assim eu durma sempre em paz.
E que cada um que cruzar meu caminho leve de mim apenas sorrisos
Porque metade de mim é inconstância
mas a outra metade é abrigo.
Que o amor se mostre constante e presente
Mesmo que eu sofra por ele
E que as pessoas me vejam como um louco romântico
Porque é com amor que eu rego minhas raízes.
Porque metade de mim é tronco velho
mas a outra metade é semente.
E que a minha felicidade seja eterna
Porque metade de mim é o que eu pareço ser
e a outra metade também.
.
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Matheus
não me proíba de sentir cada segundo vagarosamente.
Que o partir e o chegar incessantes
não façam de mim um corpo gelado
Porque metade de mim é encontro
mas a outra metade é despedida.
Que a morte e a vida que se equilibram
não façam de mim mais uma de suas vítimas
Porque metade de mim é o ócio
mas a outra metade é vontade.
Que as idéias e os desejos que tenho
não façam de mim apenas sensação
Porque metade de mim é paixão
mas a outra metade é prece.
Que o peso da consciência em tardes de tédio
não faça de mim apenas passado
Porque metade de mim é remorso
mas a outra metade é esperança.
Que as lembranças e a angústia se afastem, fazendo com que assim, o cotidiano seja um pouco mais prazeroso.
Que os reflexos da alma que não morre
não façam de mim a mesma pessoa que já fui
Porque metade de mim é o que eu era
mas a outra metade é o que eu quero ser.
Que eu nunca precise ferir ninguém com palavras
para que assim eu durma sempre em paz.
E que cada um que cruzar meu caminho leve de mim apenas sorrisos
Porque metade de mim é inconstância
mas a outra metade é abrigo.
Que o amor se mostre constante e presente
Mesmo que eu sofra por ele
E que as pessoas me vejam como um louco romântico
Porque é com amor que eu rego minhas raízes.
Porque metade de mim é tronco velho
mas a outra metade é semente.
E que a minha felicidade seja eterna
Porque metade de mim é o que eu pareço ser
e a outra metade também.
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Matheus
28 de out. de 2009
A Alma do Poeta

É você quem habita a alma do poeta para que ela habite em todo resto do corpo.
O corpo do poeta é feito de Alma, e a alma é feita de você:
Os olhos do poeta lêem os versos como se lessem seus pensamentos;
Observam as paisagens como se observassem sua intimidade;
Se fecham todas as noites como se fechassem para te ver.
Os dedos do poeta dedilham as teclas como se dedilhassem seu corpo;
Seguram no lápis como se segurassem seu rosto;
Acentuam palavras como se acentuassem seus cabelos ao sol.
A boca do poeta bebe o alcóol da inspiração como se bebesse você;
Recita seus poemas como se recitasse em suas curvas;
Se contrái de comoção como se contraísse suas memórias.
A mente do poeta pensa... Na verdade tenta, mas acaba pensando em você.
A mente do poeta é mais do que neurônios, sinônimos e outras coisas banais.
A mente do poeta é cheia de estouros, luzes e lampejos, que se não saem instantaneamente rumo ao papel, se transformam em fantasmas que fazem o poeta pirar.
A mente do poeta também é cheia de sombra, entretando.
Caminha pelas idéias e pelas linhas, brinca com as sensações e com as rimas, e ao voltar acaba encontrando a alma e você ocupando seu lugar.
É a alma do poeta que reflete seu encanto;
É a alma do poeta que exprime seus desencontros;
É a alma do poeta que emociona...
E por emocionar, ela tem passe livre pra entrar em todo canto que há.
A alma do poeta é esperta... Ela entra em você.
Passeia por suas víceras, vai a teus olhos, a teus dedos, a tua boca.
A alma do poeta te toca, finalmente!
Mas é a alma do poeta que toca a você... Não o seu corpo.
O poeta é poeta, por isso;
Por te tocar sem poder te sentir.
Por te emocionar sem poder enxugar seu pranto.
Por te beijar sem poder molhar os teus lábios.
É por isso que o poeta é poeta... Entende?
Por que se assim não fosse, o poeta seria seu amante...
E não seria poeta.
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Matheus
26 de out. de 2009
Ausência de inspiração...

Parei para pensar um segundo...
Mas o pensamento não veio!
Como é sensível a minha inspiração!
Fico vendo todo mundo que se inspira com tudo e com todos...
Eu não sou assim.
E também nem sei se queria ser.
Escrever, para mim, é algo íntimo demais, profundo demais pra sair sem motivo.
Hoje paro de frente ao papel e nada vem.
Em todos os dias que escrevi, as palavras saltaram sozinhas, naturais...
Claro que tinha em mente alguém, alguma situação, algum sentimento... Mas eles apenas ditavam as letras e as linhas iam aumentando sem que eu tivesse controle.
E hoje não está sendo assim.
Então, por respeito às minhas idéias, e por respeito ao meu inconsciente, prefiro ficar sem inspiração do que forçá-la a chegar.
Quem sabe eu faço isso e ela toma birra de mim?
Quando ela quiser voltar, que seja bem vinda!
Acho que pode até ser bom tirar um dia de folga da profissão de pseudo-poeta.
Portanto, até amanhã!
24 de out. de 2009
Humano-raça

O Ser-Humano está em extinção.
É, tá sim, para de rir!
Vamos comigo à África que eu te dou uma prova.
Tá vendo?
Eu estou falando daquele tanto de gente morrendo de fome!
E aproveita para passar comigo nos Estados Unidos, também.
Vamos na porta de um Mc Donalds ou de uma Apple.
Viu que não é a mesma raça?
Aqueles que morrem na África sim, são os seres humanos.
Eles são os remanescentes quase extintos do Homo-Sapiens...
Essa outra raça que a gente viu não é mais a humana.
Será que é ao menos humanóide?
É uma raça de consciência deturpada e de muitos conceitos falhos.
É capitalismo demais, globalização demais, e amor de menos.
É esta raça que está tomando conta do mundo.
Enquanto isso o Humano morre.
Nem força para levantar, tem.
Morre por não ter como lutar.
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Matheus
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Querência

Estranhos sentimento esse de querer. A gente passa a vida querendo.
Por esperança, ou persistência, queremos sempre o que não podemos ter.
Seria simples querer um céu azul ou uma flor amarela, mas queremos cores mais fortes.
Vivemos querendo amores vermelhíssimos, quase roxos de tanta querência dele que temos. Queremos dinheiro, queremos sucesso, queremos poder...
Queremos sempre mais e mais; E acabamos morrendo sempre com menos, muito menos do que aquilo que poderíamos ter conquistado se não quiséssemos sempre aquilo que está fora do nosso alcance.
.
Matheus
Sonhos.

Eu tenho sonhos;
Sonhos que não sonho dormindo
São ilusões, alucinações
Eu tenho sonhos de criança
Daqueles com doces e melodia
Tenho sonhos de amor
Sonho com futuro de paz.
.
Eu tenho sonhos;
Sonho para mim
Sonho para os outros também.
.
Sonho com os outros, na verdade.
.
Eu tenho sonhos;
Sonhos que vem e passam
Sonhos que me abalam
Sonhos que são quase reais.
.Eu tenho sonhos!
Sonho em estar ali:
Presente na ausência
Alegre na melancolia
Aceso na escuridão.
.Eu tenho sonhos;
Sonhos que o despertador não pode acordar.
.
Matheus
22 de out. de 2009
Conto: Menino-Cinza

Gênero: Drama
Faltava vontade de viver naquele garoto.
Por anos a fio ele não tentara acender sequer uma fogueira de vida em seu peito, e sem saber como, nem quando, desistia voluntariamente de uma gota de emoção a cada dia, abrindo mão de cada passo, cada abraço dado, cada raio de sol.
Não sabia bem o que era seu, e não tinha consciência de atos alheios. Era ele alheio a si e aos outros, de tão paralisado que foi se tornando.
Era uma estátua respirante.
Coadjuvava, conformadamente, em sua própria vida. Ia deixando as folhas do calendário cair, se permitindo gastar a vida apenas da maneira mais econômica que conhecia: Parado.
Não se via satisfeito, obviamente... Mas não tinha vontade de mudar, também. Habituou-se ao escuro, à poeira e ao mofo de seu quarto cinza, com poucos livros, poucas roupas e pouquíssimas lembranças.
No canto esquerdo da parede de sua porta, guardava um baú antigo, desses de chave dourada, onde colocava os maços de cigarro vazios e os papéis com palavras que, às vezes, muito às vezes, tentava escrever, sem sucesso de idéias.
Sua mãe nem percebia sua existência; E não era por falta de amor. Era por tristeza de ter parido de si um peso morto, que aquela mulher renegava sua cria.
Seu pai abandonara o lar antes de completar quinze anos de casado. Era para ele uma humilhação ter como filho aquele garoto inútil - como já havia dito ao menino milhares de vezes em suas brigas monólogas.
O menino vivia uma vida sem objeções. Também pudera! Qual objeção teria alguém que nada faz?
Nem os estudos o interessavam. Formara-se no ensino médio com notas na média, tinha média atenção às aulas, era avaliado como "médio" em seu desempenho em classe. O médio era a tradução do tédio na vida do menino cinza.
Tinha média saúde, por não querer se exercitar nem se tratar quando sentia algo. Tinha média imaginação, pois não conhecia nem metade das experiências que poderia ter vivido, e que o inspirariam em alguma forma a expressar seu interno.
Além do médio, o nulo também era amigo presente. Presença nula, alegria nula, palavras nulas e sempre monossilábicas: "Sim", "Não", "Tudo bem".
Era de gênio nulo também.
Amigos não tinha; Quem gostaria de ter como amigo uma folha de papel em branco?
Aos 17 anos não havia vivido sequer um amor, dado sequer um beijo em alguma garota que o interessasse. Ele nem olhava as garotas. Nem ao seu computador, também, dedicava atenção. Pelo menos se fosse assim, seria algo de diferente a constar em sua ficha nula-média.
O menino cinza não olhava relógio, não comia besteiras, não ficava nervoso, nem ao menos sorria.
O menino cinza, por gostar de banalizar a si mesmo, colocara em si próprio este codinome.
Era uma maneira de se entender melhor. E nisso, ironicamente, ele achava graça.
Por anos a fio ele não tentara acender sequer uma fogueira de vida em seu peito, e sem saber como, nem quando, desistia voluntariamente de uma gota de emoção a cada dia, abrindo mão de cada passo, cada abraço dado, cada raio de sol.
Não sabia bem o que era seu, e não tinha consciência de atos alheios. Era ele alheio a si e aos outros, de tão paralisado que foi se tornando.
Era uma estátua respirante.
Coadjuvava, conformadamente, em sua própria vida. Ia deixando as folhas do calendário cair, se permitindo gastar a vida apenas da maneira mais econômica que conhecia: Parado.
Não se via satisfeito, obviamente... Mas não tinha vontade de mudar, também. Habituou-se ao escuro, à poeira e ao mofo de seu quarto cinza, com poucos livros, poucas roupas e pouquíssimas lembranças.
No canto esquerdo da parede de sua porta, guardava um baú antigo, desses de chave dourada, onde colocava os maços de cigarro vazios e os papéis com palavras que, às vezes, muito às vezes, tentava escrever, sem sucesso de idéias.
Sua mãe nem percebia sua existência; E não era por falta de amor. Era por tristeza de ter parido de si um peso morto, que aquela mulher renegava sua cria.
Seu pai abandonara o lar antes de completar quinze anos de casado. Era para ele uma humilhação ter como filho aquele garoto inútil - como já havia dito ao menino milhares de vezes em suas brigas monólogas.
O menino vivia uma vida sem objeções. Também pudera! Qual objeção teria alguém que nada faz?
Nem os estudos o interessavam. Formara-se no ensino médio com notas na média, tinha média atenção às aulas, era avaliado como "médio" em seu desempenho em classe. O médio era a tradução do tédio na vida do menino cinza.
Tinha média saúde, por não querer se exercitar nem se tratar quando sentia algo. Tinha média imaginação, pois não conhecia nem metade das experiências que poderia ter vivido, e que o inspirariam em alguma forma a expressar seu interno.
Além do médio, o nulo também era amigo presente. Presença nula, alegria nula, palavras nulas e sempre monossilábicas: "Sim", "Não", "Tudo bem".
Era de gênio nulo também.
Amigos não tinha; Quem gostaria de ter como amigo uma folha de papel em branco?
Aos 17 anos não havia vivido sequer um amor, dado sequer um beijo em alguma garota que o interessasse. Ele nem olhava as garotas. Nem ao seu computador, também, dedicava atenção. Pelo menos se fosse assim, seria algo de diferente a constar em sua ficha nula-média.
O menino cinza não olhava relógio, não comia besteiras, não ficava nervoso, nem ao menos sorria.
O menino cinza, por gostar de banalizar a si mesmo, colocara em si próprio este codinome.
Era uma maneira de se entender melhor. E nisso, ironicamente, ele achava graça.
Ria de sua própria covardia.
Certa feita o menino cinza viu-se obrigado a visitar a avó, mãe de sua mãe, que estava internada apresentando uma gastrite nervosa de tanto ceder de si em cuidados ao marido, já idoso, que sofria o mal de Alzheimer.
Certa feita o menino cinza viu-se obrigado a visitar a avó, mãe de sua mãe, que estava internada apresentando uma gastrite nervosa de tanto ceder de si em cuidados ao marido, já idoso, que sofria o mal de Alzheimer.
Era o tipo de obrigação familiar que o menino cinza detestava mas tinha que cumprir.
No hospital, entrara no quarto da avó e apertara sua mão dizendo: "Melhoras", e partiu ao saguão para aguardar sua mãe que repartia-se em lágrimas e palavras de afeto com sua matriarca.
No saguão, o menino cinza se preocupou em observar a maneira como a água se movia dentro do galão que ficava sobre o filtro elétrico.
Em vez de observar as pessoas, preferia abstrair-se em um objeto inanimado, que como o convinha, não poderia responder-lhe expressões.
Acontece que, de maneira automática, algo chamou a atenção do menino cinza. Uma das portas que cercavam o filtro d'água pelos dois lados abriu-se, e dela uma pequena senhora, já de cabelos brancos apesar de não aparentar idade avançada, saiu de mãos dadas com um pequeno garotinho, que não deveria ter mais do que seis ou sete anos.
Esse garotinho apoiava-se com uma das mãos em sua mãe, e com a outra segurava-se em um pedestal móvel que continha um cilindro de oxigênio, e também soro ligado diretamente em sua veia.
Curioso, o menino cinza observou aquela cena atentamente, e mau se deu conta de que mãe e filho, aos poucos, se aproximavam dele para sentarem-se nos dois bancos que restavam em sua fileira.
Absorto em seus pensamentos, o menino cinza analisou cada centímetro do garoto que parecia estar extremamente doente. Ele não possuía cabelos e nem sequer pelos em suas sobrancelhas. Abaixo de seus olhos haviam fortes marcas amarelo-escuras, que denotavam a ele um ar sofrido e cansado. Seu peito funcionava agitadamente, como se os tubos ligados ao seu nariz não estivessem lhe ajudando em nada a respirar. E com o espanto que só um tapa de luvas da vida pode causar a alguém, notara que a pele do garoto tinha, verdadeiramente, o tom que regia o codinome que dava a si mesmo: Cinza.
De lágrimas aos olhos e surpreso pela emoção compulsiva, o menino cinza encontrou, desesperado, os olhos da mãe do garotinho doente, que aproveitando que o mesmo havia dado alguns passos para brincar com uma das enfermeiras, disse em tom baixo, porém extremamente carregado de pesar:
- Câncer... Pulmão... Metástase. - E caiu em pranto solto, como se explicasse e depois agonizasse pela doença de seu filho.
O menino cinza, sentindo uma dor que não era a dele, não viu outra forma melhor de consolar a pobre senhora do que dando a ela seu abraço; O primeiro abraço verdadeiro que dera em alguém.
A senhora, comovida com o penar de sua própria história e de seu filho; Cansada de sofrer sozinha e sem alento, abraçou de retorno o menino cinza, que a essa altura traía toda sua maneira neutra de viver a vida, e chorava também um choro meloso e carregado de pena.
O menino cinza sentiu em si a dor daquela mulher que pariu, criou, e agora, desafiada pelo contrário da ordem natural das coisas, via seu rebento morrer antes dela, consumido aos poucos por uma doença cruel com a qual pecado algum cometido por uma criança justificasse tal punição.
Atormentado por seus próprios fantasmas, o menino cinza urrava internamente o desespero da alma que vivera presa por tantos anos querendo viver além da gaiola que o medo a impunha.
E como se não bastassem tantas emoções e sinas que a vida já havia lhe dado, o menino cinza ainda precisou de mais; Sentiu uma mão pequena e fria o tocar de leve a face dizendo como num suspiro de passarinho azul próximo a partir de seu ninho:
- Não chora moço. Brinca comigo que eu te ensino a sorrir!
Era o garotinho doente que mostrava pra ele que o corpo é uma casca, que idade não importa, que o amor pode brotar mesmo naquele chão de pedras rachadas e gélidas.
O garotinho, que tinha cada vez mais próximo de si a morte, preservava a calma e a inocência que só uma alma pura e sem culpas pode ter.
Vivera apenas sete anos ou um pouco mais, e se mostrava agradecido a Deus e satisfeito pela oportunidade que lhe fora dada.
O menino cinza perdeu suas grades com extrema facilidade, e sentou-se de pernas cruzadas, e ainda em pranto solto na face, no chão daquele hospital.
Disse ao garotinho, embalado em tom pesaroso:
- Vou te ensinar a brincar de adedanha, e você, se quiser, pode me ensinar a brincar de inventar alegria em tudo que se vê.
O garotinho, com um sorriso acanhado e fraco, abraçou o menino cinza e deu-lhe um beijo na face, dizendo:
- É só fingir que a vida é um caderno de desenhos, que o dia é uma página nova, e que todo o resto é giz-de-cera. Assim você pinta seus desenhos, um por dia, cada vez mais coloridos.
Foi esse o conselho que o garotinho lhe dera.
O conselho mais maduro que alguém poderia lhe dar.
Mal sabia a criança que com aquelas palavras, soltava de vez a alma do menino cinza, que imediatamente deixara de ser cinza para ser branco e colorir-se com gizes-de-cera.
O momento que fora rápido, porém eterno, acabou-se quando o menino que era cinza percebeu sua mãe de pé, a um passo da porta do quarto de sua avó, olhando-o comovida, encantada com a cena que via.
Ela via ali o contrário de tudo que seu filho sempre foi.
No hospital, entrara no quarto da avó e apertara sua mão dizendo: "Melhoras", e partiu ao saguão para aguardar sua mãe que repartia-se em lágrimas e palavras de afeto com sua matriarca.
No saguão, o menino cinza se preocupou em observar a maneira como a água se movia dentro do galão que ficava sobre o filtro elétrico.
Em vez de observar as pessoas, preferia abstrair-se em um objeto inanimado, que como o convinha, não poderia responder-lhe expressões.
Acontece que, de maneira automática, algo chamou a atenção do menino cinza. Uma das portas que cercavam o filtro d'água pelos dois lados abriu-se, e dela uma pequena senhora, já de cabelos brancos apesar de não aparentar idade avançada, saiu de mãos dadas com um pequeno garotinho, que não deveria ter mais do que seis ou sete anos.
Esse garotinho apoiava-se com uma das mãos em sua mãe, e com a outra segurava-se em um pedestal móvel que continha um cilindro de oxigênio, e também soro ligado diretamente em sua veia.
Curioso, o menino cinza observou aquela cena atentamente, e mau se deu conta de que mãe e filho, aos poucos, se aproximavam dele para sentarem-se nos dois bancos que restavam em sua fileira.
Absorto em seus pensamentos, o menino cinza analisou cada centímetro do garoto que parecia estar extremamente doente. Ele não possuía cabelos e nem sequer pelos em suas sobrancelhas. Abaixo de seus olhos haviam fortes marcas amarelo-escuras, que denotavam a ele um ar sofrido e cansado. Seu peito funcionava agitadamente, como se os tubos ligados ao seu nariz não estivessem lhe ajudando em nada a respirar. E com o espanto que só um tapa de luvas da vida pode causar a alguém, notara que a pele do garoto tinha, verdadeiramente, o tom que regia o codinome que dava a si mesmo: Cinza.
De lágrimas aos olhos e surpreso pela emoção compulsiva, o menino cinza encontrou, desesperado, os olhos da mãe do garotinho doente, que aproveitando que o mesmo havia dado alguns passos para brincar com uma das enfermeiras, disse em tom baixo, porém extremamente carregado de pesar:
- Câncer... Pulmão... Metástase. - E caiu em pranto solto, como se explicasse e depois agonizasse pela doença de seu filho.
O menino cinza, sentindo uma dor que não era a dele, não viu outra forma melhor de consolar a pobre senhora do que dando a ela seu abraço; O primeiro abraço verdadeiro que dera em alguém.
A senhora, comovida com o penar de sua própria história e de seu filho; Cansada de sofrer sozinha e sem alento, abraçou de retorno o menino cinza, que a essa altura traía toda sua maneira neutra de viver a vida, e chorava também um choro meloso e carregado de pena.
O menino cinza sentiu em si a dor daquela mulher que pariu, criou, e agora, desafiada pelo contrário da ordem natural das coisas, via seu rebento morrer antes dela, consumido aos poucos por uma doença cruel com a qual pecado algum cometido por uma criança justificasse tal punição.
Atormentado por seus próprios fantasmas, o menino cinza urrava internamente o desespero da alma que vivera presa por tantos anos querendo viver além da gaiola que o medo a impunha.
E como se não bastassem tantas emoções e sinas que a vida já havia lhe dado, o menino cinza ainda precisou de mais; Sentiu uma mão pequena e fria o tocar de leve a face dizendo como num suspiro de passarinho azul próximo a partir de seu ninho:
- Não chora moço. Brinca comigo que eu te ensino a sorrir!
Era o garotinho doente que mostrava pra ele que o corpo é uma casca, que idade não importa, que o amor pode brotar mesmo naquele chão de pedras rachadas e gélidas.
O garotinho, que tinha cada vez mais próximo de si a morte, preservava a calma e a inocência que só uma alma pura e sem culpas pode ter.
Vivera apenas sete anos ou um pouco mais, e se mostrava agradecido a Deus e satisfeito pela oportunidade que lhe fora dada.
O menino cinza perdeu suas grades com extrema facilidade, e sentou-se de pernas cruzadas, e ainda em pranto solto na face, no chão daquele hospital.
Disse ao garotinho, embalado em tom pesaroso:
- Vou te ensinar a brincar de adedanha, e você, se quiser, pode me ensinar a brincar de inventar alegria em tudo que se vê.
O garotinho, com um sorriso acanhado e fraco, abraçou o menino cinza e deu-lhe um beijo na face, dizendo:
- É só fingir que a vida é um caderno de desenhos, que o dia é uma página nova, e que todo o resto é giz-de-cera. Assim você pinta seus desenhos, um por dia, cada vez mais coloridos.
Foi esse o conselho que o garotinho lhe dera.
O conselho mais maduro que alguém poderia lhe dar.
Mal sabia a criança que com aquelas palavras, soltava de vez a alma do menino cinza, que imediatamente deixara de ser cinza para ser branco e colorir-se com gizes-de-cera.
O momento que fora rápido, porém eterno, acabou-se quando o menino que era cinza percebeu sua mãe de pé, a um passo da porta do quarto de sua avó, olhando-o comovida, encantada com a cena que via.
Ela via ali o contrário de tudo que seu filho sempre foi.
Embalados naquela emoção, demoraram muito para perceber: Era o momento de se despedir.
O menino que era cinza abraçou o garotinho doente, forte o bastante para que pudesse se mostrar agradecido pelo retorno da vida que o mesmo havia lhe dado de graça, mas com cautela e zelo suficientes para que não ferisse ainda mais aquele corpo frágil de um anjo que estava morrendo.
Abraçou também a mãe da criança, que lhe olhou nos olhos e disse:
- Meu filho não tem mais vida pra viver, são poucos os instantes que o restam. Mas não deixe que a sua escorra pelos seus dedos.
De mãos dadas com sua mãe, o menino que era cinza dirigiu-se à porta do hospital.
Estava surdo e mudo de tanta emoção.
Ele via o mundo com cores agora.
Há quem diga que nenhum de nós parte dessa vida sem mudar a vida de outrem.
Aquele menino doente, que perdia a batalha contra um câncer que o corroia, mudara a vida de muitas pessoas com sua resignação e pureza.
Foi essa a herança que aquela criança deixava para o mundo.
Ainda de olhos vermelhos, o menino que era cinza teve forças e olhou para trás uma última vez. Ele viu que passos agitados populavam o corredor onde estava há instantes.
Não queria imaginar, mas sabia que o passarinho, que antes estava fraco, havia finalmente batido asas rumo ao céu azul.
O menino doente havia abraçado a morte do corpo, e se libertado para a vida do espírito.
De lágrimas brotando em comoção, abaixou-se em prece pelo menino doente que agora estava saudável nos braços do Pai.
As palavras faltavam, mas os sentimentos eram fortes o bastante para expressar seus pensamentos naquele instante.
Entrou no carro de sua mãe, que ainda estava comovida, e disse antes de qualquer coisa:
- Acho que podemos pintar as paredes do meu quarto, mãe.
Ela, extasiada de felicidade e gratidão, perguntou-lhe em meio a um soluço:
- De que cor meu filho?
E o menino que era cinza viu passar pela janela um lindo passarinho azul, de canto leve, como quem reza pra agradecer o dom da vida, voando livre em rumo à imensidão de nuvens do céu, desfrutando da liberdade enfim conquistada e despedindo-se da dor que trouxe a sabedoria.
- Acho que a cor do céu é uma linda cor. - Respondeu o menino que era cinza.
E daquele momento em diante, de todas as cores que trazia em si, o menino gostava mais do azul...
E esquecera, para sempre, da existência do cinza.
O menino que era cinza abraçou o garotinho doente, forte o bastante para que pudesse se mostrar agradecido pelo retorno da vida que o mesmo havia lhe dado de graça, mas com cautela e zelo suficientes para que não ferisse ainda mais aquele corpo frágil de um anjo que estava morrendo.
Abraçou também a mãe da criança, que lhe olhou nos olhos e disse:
- Meu filho não tem mais vida pra viver, são poucos os instantes que o restam. Mas não deixe que a sua escorra pelos seus dedos.
De mãos dadas com sua mãe, o menino que era cinza dirigiu-se à porta do hospital.
Estava surdo e mudo de tanta emoção.
Ele via o mundo com cores agora.
Há quem diga que nenhum de nós parte dessa vida sem mudar a vida de outrem.
Aquele menino doente, que perdia a batalha contra um câncer que o corroia, mudara a vida de muitas pessoas com sua resignação e pureza.
Foi essa a herança que aquela criança deixava para o mundo.
Ainda de olhos vermelhos, o menino que era cinza teve forças e olhou para trás uma última vez. Ele viu que passos agitados populavam o corredor onde estava há instantes.
Não queria imaginar, mas sabia que o passarinho, que antes estava fraco, havia finalmente batido asas rumo ao céu azul.
O menino doente havia abraçado a morte do corpo, e se libertado para a vida do espírito.
De lágrimas brotando em comoção, abaixou-se em prece pelo menino doente que agora estava saudável nos braços do Pai.
As palavras faltavam, mas os sentimentos eram fortes o bastante para expressar seus pensamentos naquele instante.
Entrou no carro de sua mãe, que ainda estava comovida, e disse antes de qualquer coisa:
- Acho que podemos pintar as paredes do meu quarto, mãe.
Ela, extasiada de felicidade e gratidão, perguntou-lhe em meio a um soluço:
- De que cor meu filho?
E o menino que era cinza viu passar pela janela um lindo passarinho azul, de canto leve, como quem reza pra agradecer o dom da vida, voando livre em rumo à imensidão de nuvens do céu, desfrutando da liberdade enfim conquistada e despedindo-se da dor que trouxe a sabedoria.
- Acho que a cor do céu é uma linda cor. - Respondeu o menino que era cinza.
E daquele momento em diante, de todas as cores que trazia em si, o menino gostava mais do azul...
E esquecera, para sempre, da existência do cinza.
Matheus
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20 de out. de 2009
Os Versos Que Eu Fiz pra Você Não Ler (Dilema do Poeta)

"Você tem que fazer o que tiver vontade ..."
E se minha vontade for ficar com você?
Procurei pelos lugares, pelas esquinas...
Entrei em bares sujos, ruas estreitas e casas estranhas...
Mas te achei no meu jardim, lá do lado daquela pedra feia.
Sabe aquela? Que ficava em cima de uma placa onde se via gravada com letras velhas e gastas: "Apatia"?
Te achei com medo.
Tremendo de medo, na verdade.
Você tinha medo de tudo: Desde um leão até à própria sombra.
Acho que a sombra te assustava porque ela não era você.
E depois de te achar, de te levar pra casa, de ficar amigo e amante, você, assim como veio, se leva pra longe.
Não, não é sua culpa, eu sei...
É meio que um fora que a vida me dá.
Ou será que é só ilusão minha, e esse tempo distante é um jeito da vida juntar mais um pouco o nosso destino?
Mas mesmo se for, eu preciso falar.
Sou paranóico e romântico... Você sabe;
Distâncias de emoções me enfraquecem.
Tá bom, eu entendo bem que sua sombra te incomoda, que você tem medo de deixar ela agir e perder o controle...
Mas você sempre andou com ela em sua cola, e ela, esperta, nunca matou e nunca roubou.
Ela é digna, entende?
Ela merece essa chance de tentar, concorda?
E isso tudo que eu digo pode parecer exagero, devaneio, melação.
Mas é a verdade.
Sim, eu admito: É a verdade com um pouco de saudosismo e bastante poesia;
Mas é verdade.
Você soube, desde sempre, que verdade não me falta.
E seu eu não falar nada?
E se eu deixar passar e a emoção se esvair?
E se essa brasa jovem pudesse ter um futuro de chama ardente, e por falta de "palavras" ela se apagasse?
Aí sim, seria forte a falta das palavras.
Não dá pra deixar um sonho se perder no fio de preocupações, de despedidas, de momentos turvos.
Tô assim, meio que, um tanto quanto... Perdido.
Não falta desejo.
Não falta melodia.
Não falta cor...
Falta só a mente no lugar.
Falta só esse medo acabar.
Falta essa pausa passar pra poder começar a história de um livro que ainda não tem capa nem epílogo.
E claro: Pode ser isso tudo uma armadilha, também;
Pura farsa, ilusão.
Pura farsa, ilusão.
Pode ser que não exista brasa, que não exista vontade, que não exista jardim, nem placa e nem uma sombra...
Sei lá, vai ver não exista você como eu penso que é.
Talvez não exista nem "você e eu" e isso tudo seja fruto da cabeça de um poeta...
Eu sei! Não é bom conhecer um poeta.
Falo de mim e tenho vontade de rir.
Talvez não exista nem "você e eu" e isso tudo seja fruto da cabeça de um poeta...
Eu sei! Não é bom conhecer um poeta.
Falo de mim e tenho vontade de rir.
Sou instável não é mesmo?
Meio louco, meio tosco, meio intenso demais... Eu assumo!
Mas quem não é?
Eu sou, você acaba se mostrando ser um pouco também!
Mas entre custos e gastos, não sei... Acho que eu quero você.
E pra que esse achar vire certeza, só basta um sorriso.
Cuspi aqui minha dignidade, não foi?
Escarrei em você um monte de coisas que você não tem que saber...
Mas bem sabes que pra me interpretar é preciso pensar: Minha mente viaja naquilo tudo que é sensação!
Não nego que nessas letras há muita razão, muito fato consumado.
Mas encharquei isso tudo de poesia.
O que não torna nada um pouco mais ou um pouco menos verdade.
É só um conjunto de linhas.
Quiçá assinei aqui a nossa despedida definitiva.
Mas fica livre, viu?
Se quiser partir, ir embora: Pode ir.
Não nego que nessas letras há muita razão, muito fato consumado.
Mas encharquei isso tudo de poesia.
O que não torna nada um pouco mais ou um pouco menos verdade.
É só um conjunto de linhas.
Quiçá assinei aqui a nossa despedida definitiva.
Mas fica livre, viu?
Se quiser partir, ir embora: Pode ir.
Não vai ser muito bom, com certeza, mas só vou dizer Tchau...
De verdade!
Meu olho só brilha, minha mão só dedilha as palavras.
Se partir, eu bato palmas pra você ser feliz, pra achar um encanto...
De verdade!
Meu olho só brilha, minha mão só dedilha as palavras.
Se partir, eu bato palmas pra você ser feliz, pra achar um encanto...
Meu poema tá pronto.
Já li suas linhas tortas, de quem começa a ser poeta também...
E você diz (com a sabedoria que só os diferentes de coração podem ter):
“Não dá pra ser sincero se não for espontâneo..."
Por isso, agüenta...
Que eu agüento também!
Matheus
Que eu agüento também!
Matheus
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