
- Olhe nos olhos daquele pobre homem.
Enxerga ali aquilo tudo que eu vejo?
Suas tristezas, suas melancolias, sua fome e seu azar?
Percebe o quanto ele já sofreu?
Olha direito, homem de Deus!
Olha só que cicatriz enorme a vida deixou em sua alma!
Olha lá ele pequeno, cheirando cola no viaduto e pedindo esmola no sinal.
E pra brincar de ser feliz ele fica enrolando os fracassos em um baseado e fumando crack pra viajar sentado.
Ele dorme acordado pra não apanhar!
E pra brincar de ser feliz ele fica enrolando os fracassos em um baseado e fumando crack pra viajar sentado.
Ele dorme acordado pra não apanhar!
Veja só;
Lá está ele na porta da sua casa, da minha casa, pedindo comida e implorando afeto!
Lá está ele na porta da sua casa, da minha casa, pedindo comida e implorando afeto!
Enxerga o pesar que este homem carrega?
Enxerga o problema que a sociedade criou?
Ele é fruto do meu desprezo, e do seu também!
Ele é fruto da nossa ignorância!
Ele é mais um filho do solo da mãe não-gentil, da pátria amada Brasil!
Ele é filho meu, e filho seu também.
Um filho que não teve mãe de seios fartos, e não teve berço de ouro, sequer de latão!
Não enxerga tudo isso no olhar dele?
Olha lá, que noite estranha;
Papelão molhado, jornal rasgado, travesseiro de pedra e colchão de calçada.
Papelão molhado, jornal rasgado, travesseiro de pedra e colchão de calçada.
Olha lá, quanto bandido em volta!
Que covardia.
E como filho teu e filho meu, ele não foge à luta.
Desafia o próprio peito até a morte!
Não merece apanhar esse homem.
E como filho teu e filho meu, ele não foge à luta.
Desafia o próprio peito até a morte!
Não merece apanhar esse homem.
E mesmo assim apanha.
Apanhou na porta da casa, apanhou na praça, apanhou no abrigo e agora apanha na rua.
Apanhou na porta da casa, apanhou na praça, apanhou no abrigo e agora apanha na rua.
Olha só...
Morreu o tal homem.
Puseram fogo, tacaram pedra, morreu de frio também, o coitado.
Agora fica lá, deitado eternamente em vala esplêndida.
Puseram fogo, tacaram pedra, morreu de frio também, o coitado.
Agora fica lá, deitado eternamente em vala esplêndida.
Ele era mais um indulgente;
Não tinha mente nem parente.
Era um José ou João.
Não tinha mente nem parente.
Era um José ou João.
E morreu enquanto eu passava na praça, correndo pra casa querendo jantar.
Morreu mais um.
Mais um ninguém que o mundo vai fingir esquecer...
Mais um ninguém que o mundo vai fingir esquecer...
Pra não deixar de comprar;
Pra poder se alegrar;
Pra não ter que ajudar.
Olha só...
Olha lá na calçada.
Quem é o tal homem?
.
Matheus
3 comentários:
Vc, ou seu eu poetico (se existe isso) realmente tem uma queda por mendigos.
MATHEUS QUE LINDO ME EMOCIONEI ESCREVES COM MUITA PROFUNDIDADE
PARABENS
Nossa, esse poema, foi necessáriamente emocionante. Parabéns !
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